INVERSE – #004

Quem decide – e para quem?

O FATO

A legalização do aborto volta a ocupar o centro do debate público.

Discursos inflamados, ladas opostos, slogans morais, estatísticas seletivas.

De um lado, a defesa da vida.

Do outro, a defesa da escolha.

A NARRATIVA DOMINANTE

Fala-se de direito.

Fala-se de moral.

Fala-se de religião.

fala-se de política.

Cada lado reivindica autoridade para decidir. Cada discurso se ancora em um valor considerado maior.

O conflito se organiza em torno da decisão.

O QUE FICA FORA DO ENQUADRAMENTO

Quase não se fala sobre quem carrega a consequência depois que o debate termina.

Não se fala do corpo que atravessa o processo. Não se fala do silêncio que permanece. Não se fala do depois – emocional, psicológico, existencial.

Discute-se a escolha como conceito.

Ignora-se a travessia como experiência.

A INVERSÃO

Talvez a pergunta não seja apenas se pode ou se não pode.

Talvez a pergunta seja: quem sustenta o peso quando a escolha deixa de ser teoria?

Quando decisões íntimas são transformadas em bandeiras coletivas, o custo raramente recai sobre quem levanta o discurso.

Pergunta INVERSE

Quando transformamos decisões íntimas em disputas públicas, quem assume a responsabilidade pelo que acontece depois – e por quem?

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