Quem decide – e para quem?
O FATO
A legalização do aborto volta a ocupar o centro do debate público.
Discursos inflamados, ladas opostos, slogans morais, estatísticas seletivas.
De um lado, a defesa da vida.
Do outro, a defesa da escolha.
A NARRATIVA DOMINANTE
Fala-se de direito.
Fala-se de moral.
Fala-se de religião.
fala-se de política.
Cada lado reivindica autoridade para decidir. Cada discurso se ancora em um valor considerado maior.
O conflito se organiza em torno da decisão.
O QUE FICA FORA DO ENQUADRAMENTO
Quase não se fala sobre quem carrega a consequência depois que o debate termina.
Não se fala do corpo que atravessa o processo. Não se fala do silêncio que permanece. Não se fala do depois – emocional, psicológico, existencial.
Discute-se a escolha como conceito.
Ignora-se a travessia como experiência.
A INVERSÃO
Talvez a pergunta não seja apenas se pode ou se não pode.
Talvez a pergunta seja: quem sustenta o peso quando a escolha deixa de ser teoria?
Quando decisões íntimas são transformadas em bandeiras coletivas, o custo raramente recai sobre quem levanta o discurso.
Pergunta INVERSE
Quando transformamos decisões íntimas em disputas públicas, quem assume a responsabilidade pelo que acontece depois – e por quem?

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