Quando cuidado vira correção
O FATO
Nunca se falou tanto em cuidado, saúde mental e bem-estar.
Diagnósticos se multiplicam. Protocolos se expandem. Tratamentos se normalizam.
Tudo em nome do equilíbrio, da adaptação, da funcionalidade.
A NARRATIVA DOMINANTE
Se algo dói, deve ser corrigido.
Se alguém sofre, precisa ser ajustado.
Se o comportamento diverge, deve ser tratado.
O cuidado aparece como solução universal. Questioná-lo soa quase como ingratidão.
O QUE FICA FORA DO ENQUADRAMENTO
Raramente se discute quem define o que precisa de correção.
Não se fala da fronteira entre cuidar e controlar. Nem do risco de transformar singularidade em sintoma.
Quando todo desvio vira problema, a diferença deixa de ser escutada.
A INVERSÃO
Talvez nem todo sofrimento seja falha. Talvez nem toda diferença precise de conserto.
Quando o cuidado se impõe sem escuta, ele deixa de proteger e começa a moldar.
Pergunta INVERSE
Quando dizemos que algo é cuidado, quem decide – e quem perde o direito de decidir?

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